Falhas no Smart Sampa: documento da Prefeitura contradiz versão de Ricardo Nunes
As falhas de segurança no Smart Sampa, sistema de videomonitoramento da Prefeitura de São Paulo, ganharam novos desdobramentos após a divulgação de um documento enviado à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Além de apresentar uma cronologia diferente daquela mencionada pelo prefeito Ricardo Nunes, o documento também levanta questionamentos sobre a proteção das credenciais de acesso ao sistema.
Documento apresenta outra versão sobre o caso
Inicialmente, a Prefeitura informou à ANPD que recebeu, em 16 de outubro de 2026, informações preliminares sobre uma possível reportagem envolvendo credenciais do Smart Sampa. Na mesma data, o UOL encaminhou à administração municipal o endereço do repositório que continha os dados.
Em seguida, no dia 18 de outubro, o consórcio responsável pela operação iniciou os procedimentos de verificação e contenção. Dessa forma, a cronologia apresentada no documento difere da declaração anterior de Ricardo Nunes. Na ocasião, o prefeito afirmou que a gestão já conhecia a situação e acompanhava o material como uma estratégia para identificar possíveis acessos indevidos.
Entretanto, o documento enviado à agência reguladora não descreve uma operação de monitoramento com essa finalidade. Pelo contrário, a Prefeitura relata que iniciou as providências após receber o alerta e analisar as informações disponíveis. Portanto, a sequência dos acontecimentos passou a integrar os questionamentos sobre a condução do caso.
Levantamento identificou contas com senhas semelhantes
Além da cronologia, outro ponto importante envolve o levantamento das credenciais. Segundo a administração municipal, a análise identificou 6.529 usuários no material examinado. Desse total, 178 apresentavam o mesmo padrão de senha.
Apesar desse número, a Prefeitura esclareceu que ele não representa a quantidade de contas efetivamente acessadas por terceiros. Na verdade, de acordo com os registros técnicos apresentados pelo consórcio, apenas uma conta teve relação direta com o incidente investigado.
Além disso, a administração afirmou que não encontrou evidências de quebra de senhas ou de ataques automatizados em larga escala. Nesse sentido, a versão municipal atribui o problema à divulgação de informações associadas a um agente que possuía acesso legítimo ao sistema.
Prefeitura anuncia mudanças na segurança
Após identificar o problema, a administração municipal adotou mudanças nos mecanismos de autenticação. Entre as medidas anunciadas estão a redefinição das senhas dos usuários, a exigência de combinações com pelo menos 14 caracteres e a implantação da autenticação multifator.
Posteriormente, a Prefeitura também acrescentou a identificação facial como requisito de acesso. Da mesma forma, a gestão informou que retirou funcionalidades administrativas que permitiam cadastrar senhas fora dos padrões de segurança estabelecidos.
No entanto, os questionamentos sobre a plataforma não terminaram nesse episódio. Paralelamente, uma segunda exposição, relacionada a links de transmissão de aproximadamente 17 mil câmeras de parceiros, também ganhou destaque na imprensa. Sobre esse ponto, a Prefeitura contestou a informação de que os links estariam publicamente disponíveis e declarou que investigaria o caso.
Caso amplia debate sobre segurança digital
Diante dos episódios, organizações da sociedade civil solicitaram ao Ministério Público de São Paulo uma investigação independente. Além disso, pediram a suspensão cautelar do Smart Sampa até a realização de uma auditoria técnica.
Enquanto isso, a ANPD busca esclarecimentos sobre as ocorrências e as medidas adotadas pela administração municipal. Assim, o caso amplia o debate sobre a proteção de dados pessoais, o controle de acesso às imagens e a responsabilidade dos envolvidos na operação de sistemas públicos de vigilância.
Por outro lado, as medidas anunciadas pela Prefeitura ainda precisam ser avaliadas quanto à sua eficácia. Para isso, uma apuração independente poderá esclarecer a dimensão das exposições e verificar se os mecanismos de proteção realmente oferecem segurança suficiente contra novos incidentes.
Por fim, a transparência na investigação será essencial para esclarecer o que aconteceu, identificar eventuais responsabilidades e recuperar a confiança da população no sistema de monitoramento.