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Investigação da PF no TCE-MT aponta R$ 48,5 milhões

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Sede do Tribunal de Contas de Mato Grosso durante investigação da PF no TCE-MT.

Investigação da PF no TCE-MT aponta R$ 48,5 milhões em pagamentos a conselheiros

Inquérito identificou repasses feitos entre janeiro e outubro de 2025. Presidente do tribunal foi preso preventivamente, enquanto outros três integrantes foram afastados.

A investigação da PF no TCE-MT identificou R$ 48,5 milhões em pagamentos aos sete conselheiros do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso entre janeiro e outubro de 2025. Segundo a Polícia Federal, os valores saíram das contas do próprio tribunal e não correspondem à remuneração registrada no Portal da Transparência.

A reportagem da Folha de S.Paulo, publicada em 3 de novembro de 2026, apresenta informações do inquérito que levou à Operação Tomada de Contas. No período analisado, o Portal da Transparência registrou R$ 2,2 milhões em remunerações, enquanto os investigadores identificaram os repasses adicionais.

De acordo com a PF, os pagamentos ocorreram por meio de ordens bancárias avulsas e do canal usado pelo tribunal para quitar fornecedores. A diferença entre os valores oficiais e os repasses identificados levou os investigadores a apurar a existência de uma suposta folha paralela.

Investigação da PF no TCE-MT identifica valores por conselheiro

Entre janeiro e outubro de 2025, o presidente do tribunal, Sérgio Ricardo de Almeida, recebeu R$ 15,4 milhões, conforme os dados citados pela reportagem. O levantamento também aponta pagamentos a outros integrantes.

Veja os valores mencionados:

  • Sérgio Ricardo de Almeida: R$ 15,4 milhões;
  • Guilherme Maluf: R$ 10,6 milhões;
  • José Carlos Novelli: R$ 8,9 milhões;
  • Alisson de Carvalho Alencar: R$ 8,1 milhões.

Os quatro valores somam R$ 43 milhões. Os outros três conselheiros também aparecem no levantamento que totaliza R$ 48,5 milhões, mas a reportagem informa que eles não foram alvo de medidas cautelares. A Polícia Federal considera a situação desses integrantes ainda delicada e aponta a necessidade de avaliar as circunstâncias dos pagamentos.

Além disso, o ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), determinou o afastamento de Guilherme Maluf, José Carlos Novelli e Alisson de Carvalho Alencar.

Operação Tomada de Contas levou à prisão do presidente

A Polícia Federal deflagrou a Operação Tomada de Contas em 29 de outubro de 2026. Na ocasião, os agentes prenderam preventivamente Sérgio Ricardo e cumpriram mandados de busca e apreensão. A Justiça também autorizou medidas relacionadas ao afastamento de sigilos e ao sequestro de bens.

A defesa do presidente do TCE-MT contestou a prisão. Em nota enviada à Folha de S.Paulo, os advogados Valber Melo e Saulo Gahyva afirmaram que a medida não apresenta elementos concretos que justifiquem a privação de liberdade.

Os representantes também disseram que o Ministério Público Federal se manifestou contra a prisão preventiva. Além disso, defenderam o devido processo legal e a presunção de inocência durante a apuração.

Por sua vez, o TCE-MT informou que adotaria as providências necessárias para cumprir as determinações da Justiça. O órgão também declarou que manteria a continuidade dos trabalhos e a regularidade das atividades institucionais.

Apuração da PF também envolve outros pagamentos

A investigação sobre a suposta folha paralela faz parte de uma apuração mais ampla sobre movimentações financeiras relacionadas ao Tribunal de Contas de Mato Grosso. A reportagem do UOL, publicada em 29 de outubro, informou que a Polícia Federal também investigava suspeitas de desvios ligados a contratos públicos.

No entanto, os valores e as suspeitas descritos nas duas reportagens correspondem a pontos distintos da investigação. Por isso, é importante não confundir os R$ 48,5 milhões em pagamentos identificados entre os conselheiros com os R$ 75 milhões em movimentações de contratos mencionados pelo UOL.

A investigação continua em andamento. Portanto, os pagamentos e as condutas citadas permanecem sob apuração, e não representam condenações judiciais. Os investigados têm direito à presunção de inocência.

Fontes consultadas

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